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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Condenados a Viver - 1972


Eu gosto de faroestes, sobretudo os italianos. Meu avô gosta de faroestes, na sua maior parte os americanos. CONDENADOS A VIVER é um faroeste obscuro feito na Espanha e, com certeza, meu avô não iria gostar nenhum pouco. Ele certamente alegaria que o filme se distancia por quilômetros dos códigos estabelecidos em um faroeste feito nos Estados Unidos, ou até mesmo de um filme do mesmo gênero feito na Europa. Mas apenas a fama que o filme ostenta, carregando o título de faroeste mais violento de todos os tempos, já eliminaria todas as chances do Seu Aguinaldo - meu avô - querer conferir CONDENADOS A VIVER.

Engana-se quem pensa que o único atrativo de CONDENADOS A VIVER sejam suas mortes sangrentas e filmadas em planos fechados, nos presenteando assim com todos os detalhes da sangueira extrema. É o ótimo roteiro que também chama bastante atenção. No filme, o sargento Brown (Cláudio Undari) - acompanhado por sua filha Sarah (Emma Cohen) -, é responsável por guiar uma diligência com sete dos mais violentos, sanguinários, cruéis, frios, calculistas e pilantras presos das redondezas até a prisão, localizada no Fort Green, tendo que atravessar uma região inóspita e coberta pela neve, região essa conhecida por ser repleta de ladrões em busca de ouro.

Li em algum lugar que raciocinar sobre a estrutura narrativa de um faroeste europeu, tendo em mente toda moralidade de Hollywood, é um erro grave. Em CONDENADOS A VIVER esse pensamento tem que ser lembrado e seguido a todo instante. O maniqueísmo é mandado pra puta que pariu, CONDENADOS A VIVER possui personagens sujos e humanos, impossíveis de serem taxados de mocinhos ou bandidos, sendo guiados apenas pelos sentimentos de vingança, cobiça ou mesmo deslocamento. Nem mesmo o sargento Brown do alto de sua patente e ofício fica imune dessas considerações.

O cenário gelado do filme, bem como todo o seu clima obscuro e negativo, lembra muito O VINGANDOR SILÊNCIOSO, um outro faroeste famoso dirigido por Sergio Corbucci. Mas as lembranças e comparações cessam por aqui mesmo.

CONDENADOS A VIVER foi lançado em DVD no Brasil pela Ocean Filmes, famosa por lançar com freqüência vários filmes do gênero. A qualidade da imagem é boa, mantendo o formato widescreen, por outro lado o DVD é pelado, ou seja, desprovido de extras.

Ivo

domingo, 24 de maio de 2009

Night of the Creeps - 1986


Mais um prolífico diretor da igualmente prolífica leva de filmes fantásticos dos anos oitenta que, sem explicação aparente, deixou seus fãs na mão: Fred Dekker. Estreando como roteirista do conhecido A CASA DO ESPANTO (1986), Fred Dekker dirigiu e roteirizou na seqüência, dois dos filmes mais divertidos dessa época: NIGHT OF THE CREEPS (1986) e THE MONSTER SQUAD (1987). Encerrando sua incursão nos cinemas com o fraquíssimo ROBOCOP 3 (1993), passando depois disso a produzir e escrever trabalhos para televisão.

NIGHT OF THE CREEPS já começa de maneira impagável. Em algum lugar do espaço, mas precisamente em uma nave, dois ET’s pelados e pra lá de feios, falando uma espécie de língua alienígena, estão tentando dar cabo de um terceiro ET, este portando um cilindro com algum tipo de experimento, lançando-o ao espaço logo em seguida. Então somos levados ao ano de 1959, Ala da Fraternidade. São as informações que aparecem na tela. Em preto e branco, numa reconstituição muito boa da época, um casal - Johnny (Ken Heron) e Pam (Alice Cadogan) - está namorando e curtindo uma visão das estrelas, quando um objeto estranho varre o céu e cai em algum lugar próximo do casal, Johnny então decide investigar o que diabos era aquilo. Enquanto o valentão entra no mato pra se deparar com o cilindro alienígena, Pam - sozinha no carro - escuta no rádio que um maníaco portando um machado está fazendo vítimas nas imediações. Johnny é surpreendido por coisas nojentas que parecem lesmas ou sanguessugas, saindo do artefato cilíndrico e entrando em sua boca, para em seguida se alojar em seu cérebro. Pam é encontrada pelo maníaco, quando o sujeito se prepara pra golpear o pescoço indefeso da moça, o filme corta para algum lugar em 1986. Podemos ver escrito na tela “Semana de Juramento”. Somos apresentados a dois perdedores – Chris Romero (Jason Lively) e James Carpenter (Steven Marshall) – discutindo com bastante ironia sobre diversas coisas, mas o foco principal é sobre a dificuldade de transar na faculdade. Bem, já falei demais, não irei revelar mais detalhes para não atrapalhar a diversão, assista e descubra você mesmo.

Todo um clima mágico de filmes velhos de terror e ficção científica baratos permeia o filme. A cada instante que Fred Dekker imprime sua marca de maneira inequívoca, percebemos que o diretor realmente tem uma imensa devoção por esse tipo de cinema, o emaranhado de referências não me deixa mentir. Começando por situações, como o filme PLANO 9 DO ESPAÇO SIDERAL passando na tv; passando por lugares como o nome da Universidade (Roger) Corman; “terminando” nos nomes dos personagens, é Chris ( George) Romero pra cá, James (John) Carpenter pra lá, Cynthia (David) Cronenberg, tem o detetive Ray (James) Cameron, um policial chamado alguma coisa Raimi, enfim, é referência que não acaba mais, um prato cheio pra quem gosta de catar piolho.

O filme conta ainda com uma passagem sensacional, o tipo de coisa que nunca mais será possível tirar da cabeça depois de vista. Em determinado momento, depois de adentrar na residência das meninas, o detetive Cameron solta:

- Tenho boas e más notícias, garotas.
- A boa notícia é que seus namorados chegaram.
- E a má? – pergunta uma das garotas.
- Eles estão mortos.

Depois dessa passagem, acredito que ninguém precisa de mais nenhum motivo pra resolver conferir uma das mais divertidas crias dos não tão longínquos anos oitenta, e um dos meus filmes favoritos de todos os tempos. Obrigado, Fred Dekker.

Top 5:

Pestilence - Consuming Impulse

Metal Gear Solid

Cruxifixion - Green Eyes 7”, Take it or Leave 7”

The Fox 7”


The Nils - s/t The Master Tape - v/a

Ivo é médico, ex-bailarino, cristão, pai de família exemplar, amante das belas artes, militante das causas humanas e mentiroso.


segunda-feira, 11 de maio de 2009

Brain Damage - 1988



Frank Henenlotter talvez seja mais conhecido pelo filme BASKET CASE, mas foi com BRAIN DAMAGE que o sujeito pôde definitivamente ser colocado lado a lado a gente como Stuart Gordon (RE-ANIMATOR) ou mesmo Sam Raimi (dispensa apresentações). Ao contrário do que alguns que desconheçam os filmes supracitados possam achar, essas comparações estão bem longe de ser exagero. Frank Hennenlotter apenas não teve a mesma sorte dos seus dois outrora companheiros de gênero, ficando inexplicavelmente desaparecido da direção por bastante tempo. Nesse meio tempo aparentemente se dedicou a sua distribuidora Something Weird Vídeo, responsável por tanto lançar seus próprios filmes, como vários clássicos exploitation dos anos sessenta e setenta, retornando à direção ano passado com o igualmente divertido BAD BIOLOGY.

Vamos ao filme: Brian (Rick Hearst) é apenas um jovem fã de Slayer e Crumbsuckers -como podemos atestar observando os posters em
seu quarto -, até ser encontrado por Aylmer, um tipo de parasita e criatura ancestral que acaba de fugir do seu antigo lar, onde era criado por um casal de idosos a base de muito amor e cérebro fresquinho. Aylmer então adota Brian como seu novo hospedeiro, isso implica em fazê-lo perambular pela cidade em busca do seu prato preferido, como dito anteriormente: cérebro. Como incentivo, injeta em Brian - mais precisamente na nuca - um tipo de líquido azul, uma espécie de droga que o deixa muito doido, concebendo assim uma linda relação de parasitismo.

O orçamento continua tão mequetrefe quanto em BASKET CASE, apenas um pouco maior
, de qualquer maneira Frank Hennenlotter aparenta saber lidar melhor do que ninguém com a grana curta, construindo cenas geniais, sobretudo nas aparições de Aylmer. Fico imaginando se algum diretor fosse reproduzir Aylmer hoje em dia, aposto todas as fichas que seria por meio dos mais atuais efeitos de computador, tirando assim todo seu carisma. Há uma seqüência em especial digna de nota, onde acontece uma cena de sexo oral explicito, nem o realizador mais hardcore de filmes pornôs se atreveria a fazer, só conferindo mesmo pra ter noção. E para quem assistiu BASKET CASE, o filme guarda ainda algumas boas surpresas, tanto de pessoas, como de lugares

.
BRAIN DAMAGE é um filme obrigatório pra qualquer fã de filmes de terror, seja por todo seu gore, estória surreal ou inventismos no que diz respeito a efeitos e orçamentos limitados. Infelizmente nunca foi lançado no Brasil, nem VHS ou DVD.

Ivo é médico, ex-bailarino, cristão, pai de família exemplar, amante das belas artes, militante das causas humanas e mentiros
o.

top 5:

Sport Clube do Recife


Chronic Sick - Cutest Band in Hardcore


Subculture - I Heard a Scream

Death - ...For The Whole World To See

Ultimo Resorte - Que Dificil Es Ser Punk